A notícia publicada hoje no jornal Guardian (ao qual podem
aceder através deste link ) dá-nos conta de uma grande mudança na estratégia
militar dos EUA e de Donald Trump (a exemplo do que vem sendo habitual nas últimas decisões do Presidente dos EUA).
O Presidente anunciou que irá alterar a sua decisão de
retirada das tropas do Afeganistão, optando antes por um reforço da presença no
país, embora não tenha anunciado publicamente qual será o aumento de tropas do
contingente americano no país. Sabe-se no entanto que a Casa Branca já deu
permissão ao Pentágono para o aumento do seu contingente em 4.000 militares,
aumentando o contingente actual de 8.400 efectivos no terreno.
Apesar de à primeira vista não deixar de ser um contra senso
o Presidente Trump ter anunciado durante a campanha eleitoral que iria reduzir
a presença americana no Afeganistão e agora contradizer uma das suas promessas
eleitorais, esta mudança de decisão é na verdade bastante acertada e ponderada
do ponto de vista estratégico.
Por muito mau que pareça os EUA colocarem mais tropas no “matadouro”
que se tornou o Afeganistão, esta é na
verdade uma jogada estratégica inteligente por parte da equipa de assessores de
Trump.
Com estas declarações, Trump coloca os governos paquistanês
e afegão em cheque, ameaçando um dos
maiores aliados regionais da China na sua estratégia de contenção do poderio
indiano (e também um dos maiores mercados de armas para a China), e lança uma “operação
de charme” à India (que é o maior mercado militar da Rússia) e com isso ameaça
alterar todo o equilíbrio de poder da região.
Ao mesmo tempo, os EUA conseguem manter uma presença militar
perto do Irão, mantendo o seu regime sobre pressão e não permitindo que o Irão
e Paquistão unam forças, nem que o Irão aumente a sua influência regional através
de uma expansão para o Afeganistão, o que lhe iria permitir controlar a região
estratégica do Balochistão, para além do facto do Paquistão ter ogivas nucleares no
seu arsenal dissuasor, o que ira aumentar consideravelmente o risco de ameaça para Israel, inimigo declarado do Irão.
Se com o aumento de tropas os EUA conseguirem o que parece ser a sua intenção
de “obrigar” os governos paquistanês e afegão a serem mais cooperantes no
terreno,mantendo o regime taliban sobre controlo, salvaguardando os seus
interesses no país e captar o apoio da Índia contra a China, este é um preço
aceitável para as baixas militares e civis esperadas. De forma a evitar a
redução dos índices de popularidade do Presidente Trump, para não prejudicar as suas hipótese de ser reeleito, é muito provável que este aumento de
tropas seja feito com recurso a empresas privadas como a Academi (cujo anterior nome é Blackwater), agradando
assim a um dos seus maiores apoiantes durante as eleições (Erik Prince). Resta ver qual será
a reacção da troika Rússia/China/Irão a este aumento do efectivo militar americano.
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